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“Ser mulher é sempre ter alguém tentando justificar o seu sucesso”, diz Karol Conka

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Artista se prepara para lançar seu novo trabalho,

Artista se prepara para lançar seu novo trabalho, "Ambulante"

Fonte: Reprodução/Instagram

A cantora Karol Conka, conhecida não só por suas letras fortes, mas também por seu ativismo, participou na última sexta-feira (16) em São Paulo do Women’s Music Event, plataforma criada para aumentar o protagonismo da mulher na música. Após discursar em um painel dedicado ao rap, ela conversou com a equipe da Billboard e revelou algumas informações sobre seu novo álbum, previsto para ser lançado neste ano. Aproveitou também para falar sobre o feminismo, uma de suas maiores bandeiras. A entrevista foi publicada nesta segunda (19). 

“Ser mulher continua sendo desafiador, sempre vai ser. Eu não acredito que eu vá viver para ver a mudança, pelo retrocesso pelo qual estamos passando. Ao mesmo tempo é atraente, para nós e para quem está assistindo. No sentido de: ‘Olha como elas são poderosas, sobem no palco, são empresárias, donas da própria carreira’. Quando a Anitta começou a cuidar da própria carreira, muitos disseram que não daria certo porque ela é mulher, da favela, enquanto muitos homens fazem isso e ninguém fala nada. Ser mulher é sempre ter alguém tentando justificar o seu sucesso. Dão justificativas e não aplausos. E a gente não precisa de justificativas”, disse.

Ainda sobre o tema, Karol contou que, anos atrás, não sabia nem mesmo do que se tratava o tal “feminismo”. Quando estudou para entender seu real significado, porém, entendeu que, sem saber, já era adepta de tudo que o movimento pregava.

“Eu descobri que era feminista quando lancei um álbum. As pessoas começaram a falar muito sobre isso. E eu me perguntei: ‘O que é isso, afinal?’. Eu vi que era tudo que eu já sabia, que minha mãe me ensinava, só não tinha um nome. Eu percebi o quanto as pessoas não entendem ainda o que é o feminismo e enxergam isso como uma coisa chata. Eu já vi artistas se posicionando com frases do tipo: ‘Sou feminista, mas não daquelas radicais’. Isso soa como se houvesse exceções de feministas e não é assim. Já ouvi também: ‘Você é a única feminista de quem eu gosto’. Fiquei pensando na minha imagem como feminista para quem não entende do assunto. Tento passar isso de uma maneira leve, não propositalmente, mas porque eu sou assim. Se você chegar na agressividade para falar com uma pessoa ignorante, ela não vai te ouvir. Se você chegar sendo mais inteligente, mais maduro, ela vai ouvir o teu discurso”, concluiu.

Em relação ao disco, contou que gravou 11 faixas com uma “sonoridade bem ampla e gostosa”. E revelou o nome de duas canções: Dominatrix (sobre uma mulher que quer dominar um homem) e Caça (mais “bate cabeça” e "carregada de informações").

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